IT Mídia

Siri, do iPhone 4S: o que vem depois?

21 de dezembro de 2011 09:56

Há algumas semanas, em reunião com a equipe da uberVU na Europa, ao deixar a empresa, o nosso CEO Mark pegou seu iPhone 4S e disse: tell my wife I am going to have dinner with the guys and that I love her. O já famoso  Siri perguntou: devo mandar esta mensagem via SMS? Mark respondeu que sim e em um segundo recebeu a confirmação: mensagem enviada.

Esta cena me fez refletir sobre o longo período de trevas em que vivemos colados a um teclado, desde a invenção do computador.

Desde a invenção das máquinas de escrever até hoje, pouquíssima coisa mudou em relação à interação homem-máquina no quesito inserção de dados. O processo de ter uma idéia e transformá-la em um conjunto de palavras ou frases demora milésimos de segundos já que a linguagem está diretamente ligada a qualquer processo cognitivo. Entretanto, para comunicarmos esta idéia em forma de texto, precisamos digitar letra por letra em um teclado.

Além da demora óbvia neste processo, lesões por esforço repetitivo e o desconforto de estar preso a um teclado tornam esta tarefa nada natural. Só é considerada natural porque simplesmente não temos outra maneira de realizá-la.

Como conseguimos verbalizar de forma oral com muito mais rapidez do que de forma escrita, nada mais natural do que uma evolução tecnológica que permita falar e ser compreendido pela máquina. Entretanto, como foram necessárias décadas para isso se tornar uma realidade, já dá pra imaginar a dificuldade do processo.

Primeiramente, o simples fato de transformar a linguagem falada em texto (Speech-to-Text) não é simples. Estatísticas pesadas e processos estocásticos aliados a um processamento de ondas compõem o arsenal mínimo necessário para entender sons.

Em segundo lugar, compreender o que está sendo dito exige das máquinas cognição, ou seja, inteligência capaz de contextualizar e aprender com a experiência. Além de todo um mapeamento de milhões de nuances da linguagem humana, enormes bases de dados da web semântica processados por algoritmos com inteligência artificial via Wolfram Alpha (a fantástica máquina inteligente da empresa Wolfram)  se integram ao Siri para permitir um entendimento de linguagem jamais visto.

O lançamento do Siri  foi sem dúvida a convergência de décadas de pesquisas movidas pelo sonho do ser humano de comandar a máquina verbalmente. Porém, este é só o começo.

Pode parecer o ápice da comunicação pegar um dispositivo, dizer algumas palavras e vê-la sendo transmitida ao interlocutor. Entretanto, não nos damos conta de que este processo é muito lento ainda. Em menos de um segundo nós temos uma idéia sobre uma mensagem (SMS) ou Tweet por exemplo. Para enviá-los, a maioria das pessoas precisa abrir um dispositivo mobile ou computador, executar um aplicativo e inserir a mensagem. O SIRI encurtou este processo ao exigir apenas pegar o dispositivo e falar a mensagem e isso parece mágica.

Como em todo processo de evolução tecnológica, temos os early adopters, que já aprovaram a tecnologia e teremos um processo de massificação do seu uso.

O que virá a seguir?

Sem dúvida alguma, o próximo grande milestone será pensar numa mensagem e transmití-la automaticamente ao interlocutor em frações de segundo. Para isso, a interface homem-máquina será aparentemente invisível. Um dispositivo inteligente será parte de nós. Se serão microchips ou nanosensores acoplados ao cérebro, ou se usaremos capacetes com ressonância magnética integrada, só o tempo dirá.

Esta mudança nas próximas décadas permitirá uma drástica mudança no ritmo de criação de informação e valor. Hoje o ritmo é ditado pela velocidade com que inserimos informações num dispositivo. Por exemplo, só para digitar este texto de 600 palavras, eu gastei no mínimo 15 minutos. No futuro, a informação será criada, modificada e compartilhada na velocidade do pensamento.

Só de imaginar um processo de brainstorm envolvendo vários colaboradores na velocidade do pensamento já dá pra sentir um pouco do gostinho dos impactos na economia e na sociedade.

Parece ficção e na verdade ainda o é, da mesma forma com que a tecnologia do Siri era ficção alguns anos atrás. Porém, este é o futuro da comunicação.

*Bráulio Medina Dias é responsável pelo desenvolvimento de negócios e inovações da uberVU na América Latina e Advisor na Lifeboat Foundation

 

 

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