O dia 05 de Outubro de 2011 vai ficar para sempre na história da humanidade. Não somente para os fãs de tecnologia, mas para todas as pessoas que direta ou indiretamente foram alvos da genialidade de Steve Jobs.
Neste momento é muito difícil escolher as palavras e as frases certas, devido à emoção e a perplexidade do momento. Independente de quem era Jobs, seu trabalho mudou o mundo, mudou a forma de produzir e a forma de consumir produtos e informação. Como várias pessoas falaram no Twitter, me sinto feliz por ter vivido a geração Think Different.
Neste pequeno texto vou tentar mostrar o impacto de Jobs para desenvolvedores móveis. Mesmo aqueles que nunca desenvolveram uma linha de código para iOS, como eu.
Entre os anos 2003 e 2004, quando comprei o livro Core Java ME, do Muchow, e comecei a programar em Java ME, me apaixonei perdidamente pelo mundo mobile, mesmo naquele tempo onde as interfaces do Symbian eram simplesmente o ápice dos mobile devices.
A plataforma da extinta Sun oferecia e ainda oferece duas opções de construções gráficas. A primeira é utilizar diretivas gráficas. Sim, o leitor não leu errado, diretivas gráficas. Ou seja, suponhamos que desejamos criar uma caixa de texto. Teremos que seguir os seguintes passos na codificação:
Isso sem falar nos tratamento de foco, limites verticais e horizontais do texto, fonte, cor, dentro outros.
Outra opção é utilizar os itens de interface gráfica que a API oferece. Porém, as classes responsáveis por isso são extremamente limitadas. Não podemos mudar a cor de fundo e não podemos definir a fonte, por exemplo. Claro que com o tempo surgiram frameworks e APIs de terceiros que minimizam este problema. Mas na época, era o que tinha e ponto final.
Eu mesmo contribui para o mundo open-source graças a estas limitações, criando a MEChart e a MEReport.
Lá por volta de 2005 surgia com força total uma tal de Research in Motion, com seus smartphones, palavra que na época ainda soava um pouco estranho aos ouvidos. Lembro-me a primeira vez que vi um destes aparelhos pessoalmente, achei fantástico, aquela tela de incríveis 320×240 pixeis, dava para mostrar o mundo neste espaço.
E também não podemos esquecer da Palm, a saudosa e querida Palm, que não conseguiu acompanhar a evolução do tempo e se perdeu pelo caminho. Porém, lembre-se, ainda estamos em 2005. Também me lembro quando comprei meu Palm Zire 22. Fiquei igualmente fascinado.
Mas nada se compara a fascinação que senti ao ver o anúncio do iPhone no início de 2007. Era diferente de tudo o que existia na época. Aquela interface, aqueles componentes, aquele ambiente de desenvolvimento, parecia algo surreal.
Porém, eu ainda não tinha muito conhecimento da Apple e muito menos do trabalho de Jobs. O iPhone foi apenas uma ponta do iceberg. A idéia de fazer as coisas simples, funcionais e atraentes ao usuário sempre estiverem no cerne da Apple. Só fui entender isso muito tempo depois.
Depois do aparecimento do iPhone o mundo correu em busca de simplicidade, o touch screen virou a sétima maravilha do mundo. De uma hora pra outro o tão falado Symbian se tornou algo obsoleto. Steve Jobs deu um tapa na cara do mundo mobile e falou: Acorda povo.
Logo em seguida surgiu o Android, seguindo quase os mesmos preceitos do iPhone. Independente de qual plataforma é melhor, as duas ditaram o novo mundo mobile, deram o pontapé inicial em uma palavra que, na minha opinião, está movendo o mundo e continuará a ser a mola propulsora por um bom tempo: a convergência: convergência.
Depois disso, as fabricantes de aparelhos móveis começaram a preocupar-se mais com a forma, com o conteúdo e a elegância de suas criações. Os usuários de mobilidade enfim começaram a ser ouvidos e ter seus anseios atendidos.
Porém, acredito que a principal mudança ainda estava por vir. O iPhone, introduziu o conceito de lojas virtuais de aplicativos. Acredito que um dos motivos que não elevaram o Java ME a patamares mais marcantes foi justamente um ponto central de distribuição. Um comportamento começou a ser moldado pelo gênio Jobs: os smartphones começaram a ser adquiridos principalmente pela quantidade de aplicativos e jogos que são oferecidos a eles.
Acredito que mesmo sem o iPhone, esta mudança iria acontecer, porém, Jobs acelerou o processo antes de ninguém sequer sonhar que ele poderia existir.
Outro ponto que interfere diretamente na vida dos desenvolvedores mobile e que devemos em grande parte a Jobs é a qualidade dos ambientes de desenvolvimento. Só quem programou em Java ME na era arcaica (pré-iOS e Android) sabe do que estou falando.
Hoje em dia, os dois ambientes de desenvolvimento das duas plataformas líderes, Android e iOS, chegaram ao ponto de serem imbecis de tão fáceis. Não posso falar do iOS porque não desenvolvo para a plataforma, porém, tenho amigos que trabalham com ela e o que eu ouço está de acordo com o Android: componentes visuais estilizados, com efeitos muito bonitos, facilidade na integração com o sistema operacional, distribuição através de lojas virtuais oficiais, banco de dados de verdade (não RMS), drag and drop, dentre outros.
E por fim, Jobs afetou profundamente o número de aplicativos produzidos no mundo. Várias pessoas tem seus empregos hoje como analistas de sistemas mobile, desenvolvedores Android, desenvolvedores iOS, dentre outros, graças ao gênio Steve.
Finalizando. Steve Jobs ensinou uma coisa a todos: trabalhe com paixão e mude o mundo, o resto não interessa.
Graduado em Ciência da Computação, pós-graduando em Web e analista de sistemas mobile na MobMidia | Grupo Pontomobi, Ricardo Ogliari é autor de dezenas de artigos que foram publicados em anais de congressos nacionais e internacionais, sites especializados e revistas. Palestrante em eventos nacionais e internacionais, como JustJava, Java Day, GeoLivre, ExpoGPS, FISL e FITE, sempre aborda temas relacionados a computação móvel. Neste espaço, discutirá sobre tecnologias, plataformas, mercado, ideias e linguagens presentes no mundo da mobilidade.
Conscientização e Dicas de Segurança da Informação
Anderson Santana
Artigo: Proteção de Dados
Dirty & Ugly Web
Paulino Michelazzo
Caiu na rede
Internet Upgrade
Victor Maeda
Ataques DDos aos bancos brasileiros.
Inovação, tecnologia e futurismo
Bráulio Medina
SIRI, MAJEL, EVI - Colhemos os frutos da semântica e inteligência artificial
Mundo RIA
Zaedy Sayão
Construindo Mobile Apps com Sencha Touch e Phonegap - Parte 1