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RIM protagoniza um déjà-vu da Sun Microsystems

29 de dezembro de 2011 15:12

Acompanhando as notícias que circulam sobre uma eventual compra da RIM, motivada pela queda drástica de suas ações nos últimos anos, (mais precisamente queda de 75,41% nos últimos 12 meses), me passa pela cabeça o filme do triste fim da Sun Microsystems.

Me lembro que a Sun, tal como a RIM, não vinha assim passando por uma fase de ouro, quando surgiu no mercado a notícia de que a IBM iria fazer uma oferta pela empresa. Muito rumor e turbulência no mercado e se colou na Sun o selo de empresa falimentar, precisando urgentemente ser comprada para não quebrar. Eu conhecia muita gente na Sun, e apesar da fase não ser tão nobre, eles estavam longe da bancarrota e não tenho dúvidas que a empresa se recuperaria no médio prazo, e que tinha caixa para isso.

Com a imagem de empresa à beira da falência e com muita especulação em seus papéis, a queda no preço das ações da empresa foi muito forte, e neste momento surge a Oracle como a salvadora da pátria, pegando todo o mercado (e a este que vos escreve) de surpresa.

Imagino que muita gente do board da empresa era também acionista dela e portanto se viram diante de uma decisão complicada: Aprovo a venda da empresa agora e me aposento com a bolada que vou receber, ou fico aqui aguentando pedrada mais um ou dois anos para levantar a empresa de novo (com o risco de ter um ataque cardíaco no processo)… com a crise mundial anunciada, a decisão foi tomada com agilidade e vimos uma das empresas mais admiradas no mundo da tecnologia ser vendida e ter praticamente quase a totalidade de seus produtos eliminados no mercado.

Infelizmente a RIM agora trilha o mesmo caminho. Tudo começou há alguns meses com um boato de que uma operadora americana estaria se preparando para fazer uma oferta pela RIM. A oferta nunca aconteceu e as ações aceleraram na queda, surgindo agora um novo boato de que Micosoft e Nokia estão interessadas em comprar a empresa.

Para Microsoft e Nokia, ter a RIM fora do jogo já é um imenso lucro, principalmente no mercado corporativo, onde a RIM ainda apresenta melhores resultados… mas por ironia do destino, na minha opinião foi exatamente essa ‘tara pelo corporativo’ que acelerou a queda das ações da empresa nos últimos anos.

Por mais que os smartphones da RIM tenham deixado de ser ‘telefones de tiozão’ há bastante tempo, a empresa simplesmente não consegue (e aparentemente nem tenta tanto assim) convencer o mercado de consumo de que um BlackBerry pode sim atender a seus anseios. Somamos isso ao fato de que iPhones, Adroids e tablets terem se tornado objeto comum no bolso (e bolsas) de grande parte da população mundial, assistimos nos últimos tempos a RIM ficando cada vez mais restrita a seu nicho inicial, do mercado corporativo, por escolha própria.

Quem viver verá, mas começo a acreditar que uma oferta hostil deve surgir em mais algumas semanas e depois disso, tenho dúvidas sobre se a empresa vai conseguir resistir muito tempo como está hoje, o que será uma pena, pois o QNX realmente tem um potencial enorme, ainda mais agora que anunciaram que na sua nova versão (fev/2012) ele terá o Android Player, possibilitando a utilização de aplicativos Android na nova plataforma operacional da RIM.

  • http://twitter.com/antoniofonseca Antonio Fonseca

    Como você bem sabe eu concordo com quase tudo, exceto com dois pontos: a) acho que você está superestimando a RIM, b) a redução do apelo e mercado da RIM não ocorre por vontade da empresa.

    A RIM de certa forma se parece muito mais com a Microsoft do que com a Sun. RIM e Microsoft relutaram demais em aceitar importantes mudanças nos paradigmas da indústria.

    Não há como prever o futuro da empresa, mas eu não seria tão otimista.

Sobre Jomar Silva

Jomar Silva é engenheiro eletrônico, pós-graduado em gestão de projetos e desenvolvimento de sistemas e diretor-geral da ODF Alliance Chapter Brasil. Atua no mercado de TI desde 1996, com ênfase no desenvolvimento de software em projetos de pesquisa e para empresas de telecomunicações e TI. Atua ainda como "advisor" em padrões abertos junto à indústria de software. É coordenador do Grupo e Trabalho na ABNT que tratou da adoção do ODF como norma brasileira e membro do OASIS ODF TC (comitê internacional que desenvolve o padrão ODF). Neste espaço, fala de tudo um pouco sobre tecnologias.

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