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O que os números sobre o mercado digital querem nos dizer?

8 de fevereiro de 2012 11:02

É comum vermos diversas análises e pesquisas sendo divulgadas em diversos canais de mídia, sejam eles impressos, televisivos ou na internet. Mas afinal, o que este monte de algarismos decimais quer nos dizer? Sendo assim, este texto objetiva fazer uma análise crítica pessoal dos dados sobre o mercado digital no Brasil e no mundo.

 

Para compor esta análise sucinta recorremos principalmente ao trabalho de pesquisa intitulado “TIC Domicílios e Empresas 2012: Pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação no Brasil”, fornecido gratuitamente pelo CGI BR (Comitê Gestor da Internet no Brasil). Além disso, uma pesquisa nos principais sites de pesquisa e estudos sobre tecnologia da informação na internet foi feita, visando principalmente os números em nível mundial.

 

Todos os países tem se beneficiado das internet nos últimos anos, literalmente estamos vendo uma revolução sem precedentes ocasionados pela adoção em massa desta nova forma de comunicação. Todos os setores da sociedade estão sendo fortemente impactados pelo fenômeno. Segundo o CGI, existem no Brasil mais de 2,5 milhões de nomes sob o domínio .br. Este número nos prova a necessidade que as pessoas e empresas estão sentindo de estarem no mundo conectado.

 

A tecnologia da informação tem na internet seu carro chefe, o pelotão de frente que conduz as mudanças e quebra as barreiras impostas há anos. Segundo dados do http://www.onlineitdegree.net/, a internet é responsável por 21% do crescimento econômico nos países desenvolvidos. Mais que agricultura, energia e mineração.

 

Infelizmente a adoção da internet ainda apresenta grandes diferenças entre os países desenvolvidos e, ainda em desenvolvimento. Além disso, em países com grandes extensões territoriais, como o Brasil, esta disparidade também é claramente percebida.

 

Uma das causas deste avanço heterogêneo é explicada pelo CGI. Segundo o comitê, um estudo elaborado pelo International Communication Union (2009 e 2010) mostra que, descontando-se os impostos, a estimativa de preço da banda larga no Brasil em 2008 era de U$ 47, enquanto na Argentina este valor caia para U$ 38. Nos Estados Unidos o custo estava em U$ 15, e não é por acaso que naquele país esses serviços chegam a 25% da população.

 

A pesquisa realizada pelo CGI também deixa clara a diferença de conectividade no nosso país:

 

45% da população teve algum acesso à Internet em 2009. Tomando-se as pessoas que acessaram a Internet pelo menos uma vez nos últimos três meses, a proporção aumentou de 24%, em 2005, para 39,2% em 2009. Por mais que esse crescimento expressivo demonstre o progresso do país nesta área, ainda assim os indicadores revelam grandes desafios.

 

Em primeiro lugar, 55% da população, que representam mais de 90% de pessoas, continuam sem acessar a Internet em 2009.

 

Em segundo lugar, a freqüência de acesso é muito mais baixa nas regiões Norte e Nordeste – 30% da população nestas regiões acessou a Internet nos últimos três meses, contra 45% no Sudeste e 43% no Sul – e especialmente nas pequenas cidades e nas zonas rurais – onde apenas 18% de pessoas acessaram a Internet nos últimos três meses, contra 43% nas áreas urbanas.

 

Referente às classes sociais, o Brasil apresenta as mesmas inconsistências apresentadas nas regiões:

 

A análise do acesso à Internet segundo as classes sociais, revela as enormes disparidades no país. Enquanto nas classes A e B as proporções de indivíduos que acessaram a Internet nos últimos três meses de 2009 chegavam a 85% e 72%, respectivamente, nas classes D e E a proporção era de apenas 14%, e nessas classes, 82% das pessoas nunca haviam acessado a rede.

 

Mas, se a Internet nos forneceu outra ótica sobre a vida, sobre como gerir nossas tarefas diárias e sobre como interagir com o resto do mundo, a internet móvel e a computação ubíqua vai romper de vez todas as barreiras, ajudando a acabar inclusive com a desigualdade e exclusão digital. Para o leitor que ainda é cético sobre estas afirmações, vamos analisar os dados numéricos.

 

Segundo a 1º Pesquisa #Mobilize Consumidor Móvel 2011 – Estudo realizado pela W/MCCANN e Grupo .Mobi com pesquisa realizada pelo instituto ipsos mediact – disponível em http://www.slideshare.net/GrupoPontomobi/pesquisa-mobilize-2010, Quase 1/3 (29,1%) dos entrevistados já acessam na mesma freqüência ou mais os sites de notícias através do celular.

 

Além disso, a pesquisa prova a teoria de que dispositivos móveis serão a porta de entrada no mundo digital para a maioria dos excluídos digitalmente. E esta tendência está quase que homogênea para todas as classes sociais. Veja o desejo de adquirir um tablet dos entrevistados:

 

68,1% dos entrevistados pertencentes a classe A desejam um Tablet.

67,1% dos entrevistados pertencentes a classe B desejam um Tablet.

63,8% dos entrevistados pertencentes a classe C desejam um Tablet.

 

Alguns dados também impressionam pelo apelo social que a internet móvel tem. Na África, mais pessoas têm acesso a celulares do que a água potável. Na África do Sul há mais de o dobro da quantidade de usuários de internet móvel do que usuários de internet computador de mesa. Esses dados foram retirados da pequisa Top 10 Mobile Facts that Will blow you away, disponível no site http://luanahazine.tumblr.com/post/16770696390/top-10-mobile-facts-that-will-blow-you-away

 

A mobilidade também está causando uma mudança radical no habito de compra das pessoas, por um motivo óbvio, as informações sobre preços, dicas de lojas e qualidade dos produtos a serem adquiridos acompanha o comprador e está disponível em tempo real e totalmente sensível ao contexto.

 

Um estudo feito pela Nielsen e Yahoo (disponível aqui http://advertising.yahoo.com/article/the-role-of-mobile-devices-in-shopping-process.html) revelou que os dispositivos móveis são freqüentemente acessados quando os usuários estão em lojas, tornando o canal uma ótima opção para propagandas de varejo. 9 a cada 10 usuários acessam a internet móvel enquanto fazem compras e aproximadamente 50% da atividade online está associada a compra. Entre os pesquisados, 51% afirmam que finalizam a compra depois de fazer uma pesquisa pela internet móvel.

 

Entre os usuários mobile, 16% usam seus dispositivos para realizar pesquisa de compra, mas o interesse desses usuários está crescendo, sendo que 57% deles desejam usar seus dispositivos para melhores experiências de compra.

 

 

Na medida em que o preço da conexão em dispositivos móveis diminui e a disponibilidade de sinal aumenta, estes números tendem a crescer significativamente. Segundo a 1º Pesquisa #Mobilize Consumidor Móvel 2011 quase 1/3 dos internautas (30,3%) são proprietários de smartphones, além disso, mais de 50,4% dos proprietários de smartphones  gostaria que houvesse mais conteúdos para acessar através do celular. Algumas plataformas merecem destaque. Por exemplo: 75% dos usuários de iPhone acessa a internet através do aparelho diariamente.

 

O ano passado marcou também uma quebra de paradigmas importante, as Lan Houses deixaram de ser a segunda opção de conexão e foram subtituídas pelos telefones celulares e smartphones. Dados que já estavam sendo comprovados na pesquisa “E a Lan House foi para o Bolso”, disponível aqui http://www.slideshare.net/redemobi/redemobi-a-lanhousefoiprobolsonov2011-10078544.

 

Segundo esta pesquisa, até 2014 o número de acessos à internet móvel será maior que a web tradicional. A fonte também traz um dado interessante: Preco de acesso web na Lan House: R$ 1,50/hora. Preço de acesso web no Celular pré-pago: R$ 0,50/hora

 

A pesquisa do CGI nos mostra que, já em 2010, o telefone celular estava em 84% dos domicílios brasileiros. Apesar do acesso a internet ser ainda incipiente: somente 21% das pessoas que utilizam telefone celular na classe A, o fazem para acesso a internet. Na classe DE este percentual cai para 1%.

 

Porém, a tendência é que o Brasil chegue aos níveis apresentados por países mais desenvolvidos digitalmente. Segundo o CGI, 47% dos menores chineses possuíam um telefone celular em 2010, sendo que 40% utilizavam o aparelho para ficarem conectados.

 

A mobilidade e a internet móvel também farão com que idéias pioneiras na internet ganhem um alcance e uma importância muito maior. Ou ainda, que façam com que nichos da tecnologia da informação sejam fomentados com a proliferação do uso. O ramo condominial, por exemplo, está começando a adotar a tecnologia para melhorar diversos fatores inertes a atividade. Dentro disso, podemos falara da conectividade condominial, representados pela plataforma ConectCon® Social, solução que visa promover a modernização e o engajamento condominial definitivo (http://www.conectcon.com). Imaginem tudo que esta plataforma pode oferecer sendo difundida em todo e qualquer equipamento móvel?

 

Resumidamente, acredito fielmente que a computação ubíqua e a internet móvel assumirão o papel e a transformação que foi iniciada pela internet tradicional. Nada do que conhecemos no início dos anos 2000 está intacto no final da década, assim como várias mudanças já ocorreram.

 

Vimos o surgimento do m-commerce e m-payment, o surgimento e solidificação da compra coletiva, as redes sociais impactando em guerras civis, o acesso a sites tradicionais ser feito principalmente por smartphones, o fenômeno da geolocalização e grandes nomes como foursquare, além de inúmeros outros fenômenos. E isso é só o começo de uma grande revolução. Devemos agradecer a Deus por vivenciar isso e poder contar aos nossos netos. 

 

 

OBS: Textos em negrito e itálico foram transcritos na íntegra das referidas fontes. 

OBS 2: Agradeço a revisão do texto pelo Diogo Costa (diogocosta.com.br e @diogocosta) e pelo Alê Fernandes (@alefernandes)

Sobre Ricardo Ogliari

Graduado em Ciência da Computação, pós-graduando em Web e analista de sistemas mobile na MobMidia | Grupo Pontomobi, Ricardo Ogliari é autor de dezenas de artigos que foram publicados em anais de congressos nacionais e internacionais, sites especializados e revistas. Palestrante em eventos nacionais e internacionais, como JustJava, Java Day, GeoLivre, ExpoGPS, FISL e FITE, sempre aborda temas relacionados a computação móvel. Neste espaço, discutirá sobre tecnologias, plataformas, mercado, ideias e linguagens presentes no mundo da mobilidade.

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