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O que o equipamento acima tem a ver com o título deste texto? Simplesmente tudo. Uma das definições de convergência no dicionário português diz o seguinte: tendência de várias coisas para se fixarem num ponto ou se identificarem. Um telefone celular e uma torradeira não são conceitos homogêneos, mas ocupam o mesmo hardware na imagem acima. No livro “Cultura da Convergência (2009)”, de Henry Jenkins, encontramos uma referência a um livro que, provavelmente, foi o primeiro a delinear o conceito de convergência. Um trecho de Technologies of Freedom (1983) diz: “Um processo chamado ‘convergência de modos’ está tornando imprecisas as fronteiras entre os meios de comunicação, mesmo entre as comunicações ponto a ponto, tais como o correio, o telefone e o telégrafo, e as comunicações de massa, como a imprensa, o rádio e a televisão. Um único meio físico – sejam fios, cabos ou ondas – pode transportar serviços que no passado eram oferecidos separadamente. De modo inverso, um serviço que no passado era oferecido por um único meio – seja a radiodifusão, a imprensa ou a telefonia – agora pode ser oferecido de várias formas físicas diferentes”. Jenkins defende a idéia de que a convergência não é apenas tecnológica. Segundo o autor, a convergência não deve ser compreendida principalmente como um processo tecnológico que une múltiplas funções dentro dos mesmos aparelhos. Em vez disso, a convergência representa uma transformação cultural, à medida que consumidores são incentivados a procurar novas informações e fazer conexões em meio a conteúdos midiáticos dispersos. Concordo com a afirmação de Jenkins. A convergência está em todo o processo produtivo e evolutivo dos seres humanos. Um bom exemplo é a convergência das relações humanas. As pessoas podem possuir centenas de amigos, porém, uma parcela mínima destas pessoas mantém contato presencial. A maioria dos amigos são virtuais. Mas, se tentarmos abordar todas as nuances da convergência, os limites de um blog serão facilmente ultrapassados. Falando especificamente do mundo mobile, por que eu falei que o futuro não são os smartphones, visto que estes são os dispositivos que apresentam o maior crescimento de vendas? Afirmei isto porque, em breve, não haverá mais aparelhos chamados smartphones. A tecnologia já está embarcada em diversos eletrodomésticos. O sistema operacional do Google, chamado Android, já está presente em máquinas de lavar roupas, aviões, automóveis, e até microondas. Existem diversos projetos de domótica que permitem o controle quase total de residências através de iPhones e iPad´s. Diversos aparelhos já conversam entre si. Há projetos em andamento que preveem que os automóveis do futuro irão conversar também, trocando informações sobre o trânsito. E o que falar do projeto American Journey 2.0? No último mês de maio, uma equipe dirigiu um Ford Fiesta por um longo caminho e, durante o trajeto, o carro enviava mensagens ao Twitter, Por todos esses motivos, não podemos mais pensar no futuro como smartphones. Principalmente para quem trabalha com desenvolvimento. Devemos sim nos especializar em alguma plataforma, mas tendo em mente que, em pouco tempo, estaremos programando para nossas geladeiras. Att.Ricardo
Graduado em Ciência da Computação, pós-graduando em Web e analista de sistemas mobile na MobMidia | Grupo Pontomobi, Ricardo Ogliari é autor de dezenas de artigos que foram publicados em anais de congressos nacionais e internacionais, sites especializados e revistas. Palestrante em eventos nacionais e internacionais, como JustJava, Java Day, GeoLivre, ExpoGPS, FISL e FITE, sempre aborda temas relacionados a computação móvel. Neste espaço, discutirá sobre tecnologias, plataformas, mercado, ideias e linguagens presentes no mundo da mobilidade.
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