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E-mail, Unified communications (UC) e os problemas de linguagem.

20 de janeiro de 2012 14:21

O futuro do e-mail no ambiente corporativo é um tema presente em todas as discussões sobre o futuro da tecnologia da informação. Aqui mesmo no IT Web, esse assunto já foi abordado algumas vezes. A grande maioria dos executivos e gestores, de forma geral, enfrenta dificuldades importantes na gestão da montanha infinita de e-mails que chegam a suas caixas postais todos os dias. Em empresas grandes, médias e pequenas, a reclamação é sempre a mesma: gestores gastam horas demais lendo e respondendo e-mails. Como administrar uma caixa de mensagens tradicional (mesmo com o uso de filtros e marcadores)? Seja pelo Outlook, GMAIL ou similares de forma inteligente e eficiente? E nos sistemas integrados das grandes corporações? É o desafio atual. Por esse motivo, assistimos o surgimento de novas abordagens no controle do fluxo de informações de trabalho.

 

A Editora do IT WEB, Adriele Marchesini, esteve recentemente nos Estados Unidos a convite da IBM para conhecer entre outras novidades, o IBM Connections Next – mais uma tentativa de organizar a colaboração com base em comunidades no ambiente corporativo (e a integração de aplicações com as diversas mídias sociais). Segundo constatou, o IBM Connections Next “agrega arquivos multimídia, como vídeo e fotos, e promove a interação com os processos de negócios, como a plataforma SAP ou qualquer outra aplicação acoplada. Desta forma, a solução centraliza serviços de e-mail, calendário corporativo, aviso sobre atividades diárias, entre outros, no que seria o profile do usuário.”

 

Não há dúvida que Unified communications (UC) é a palavra de ordem no momento. As empresas querem a integração total e inteligente das comunicações de trabalho (especialmente em real-time) como instant messaging (chats), telefonia (VOIP), vídeo conferência, data sharing (incluindo interactive White Boards), etc.

 

Mesmo diante de mudanças tão grandes na esfera do “e-mail corporativo” – as velhas e conhecidas questões relacionadas à quebra de sigilo de e-mail de empregados e o poder diretivo, regulamentar, fiscalizatório e disciplinar dos empregadores continua relevante para a análise do novo cenário. Agora com os temperos das recentes alterações na legislação trabalhista no Brasil, que – na realidade – tornou lei (Lei nº 12.551, de 15 de dezembro de 2011) aquilo que a jurisprudência (decisão dos tribunais) já vinha fazendo, ou seja, equiparar os efeitos jurídicos da subordinação exercida por meios telemáticos e informatizados à exercida por meios pessoais e diretos. É dizer: Não se distingue entre o trabalho realizado no estabelecimento do empregador, o executado no domicílio do empregado e o realizado a distância, desde que estejam caracterizados os pressupostos da relação de emprego. Os meios telemáticos e informatizados de comando, controle e supervisão se equiparam, para fins de subordinação jurídica, aos meios pessoais e diretos de comando, controle e supervisão do trabalho alheio

 

No entanto, é possível notar que um tema extremamente importante nas comunicações de trabalho, acaba não recebendo o merecido destaque, reflexão e debate na vida corporativa: a linguagem.

 

O mega investidor Warren Edward Buffett diz que não há nada como escrever para forçar-nos a pensar e conseguir refletir de forma correta e organizada (There’s nothing like writing to force you to think and get your thoughts straight). Há alguns anos, a Wired Magazine (então divulgada no Brasil pela coluna de Tecnologia do portal Terra) – publicou uma notícia em que os Professores Nicholas Epley (University of Chicago Graduate School of Business) e Justin Kruger (New York University) – apresentaram o resultado de uma pesquisa publicada no Journal of Personality and Social Psychology a respeito dos problemas das mensagens realizadas em meios eletrônicos, especialmente o e-mail (e agora, essas novas tecnologias de comunicação de trabalho).

 

A pesquisa mostrou que existe apenas 50% de chance de o leitor interpretar corretamente o tom das frases do interlocutor de um e-mail e quem lê a mensagem acha que está correto em 90% das vezes, razão pela qual, afirma Epley, discussões sem sentido acabam tendo início, especialmente em ambientes corporativos. Quem escreve um e-mail, imagina que o tom ou emoção de sua mensagem é muito claro, pois “ouve” o que entende dizer na sua cabeça ao digitar a mensagem e quem a recebe, inconscientemente, acaba interpretando o texto com base em seu estado de humor no momento da leitura, estereótipos, falsas generalizações, expectativas, etc. Atualmente, sem muita preocupação com a linguagem, as comunicações mediadas por computadores criam situações indesejáveis e constrangedoras. A inflexão (característica das comunicações orais) exige especial atenção quando procuramos demonstrá-la corretamente ao leitor nas comunicações escritas.

Em inúmeros textos trocados por e-mail dentro de uma grande empresa, especialmente tendo em vista a objetividade presente na maioria delas (principalmente agora com as unified communications) não é raro encontrar problemas graves de relacionamento surgidos em razão da pouca competência técnica dos envolvidos na arte de bem escrever e interpretar tais mensagens. A psicóloga Sherry Turkle (MIT), lembra que os recursos que utilizamos nas comunicações entre presentes, como o tom de voz e até mesmo o movimento corporal, são sinais muito relevantes utilizados pelo interlocutor na interpretação. Até mesmo nas tratativas e contratações por meios eletrônicos, verifica-se com maior frequência o erro na manifestação da vontade.

 

Como sabemos, são diversos os casos de empregados que perderam o emprego por conta de um simples e-mail mal interpretado. Sem falar nas precipitadas e irrefletidas publicações por impulso no Twitter e demais redes sociais.

 

(*) Renato Opice Blum é Advogado e economista. Sócio/CEO de Opice Blum Advogados Associados. Coordenador do Curso de Direito Digital/Eletrônico da GVLaw (FGV São Paulo).

 

(**) Paulo Sá Elias é Advogado. Sócio de Opice Blum Advogados em Ribeirão Preto/SP. Professor Universitário. Mestre em Direito pela UNESP.

 

Links relacionados:

 

http://itweb.com.br/52435/ibm-apresenta-rede-social-corporativa-que-faz-plug-in-com-redes-sociais/

http://www.bbc.co.uk/news/business-14825020

http://itmanagement.earthweb.com/netsys/article.php/3859071/Unified-Communications-Market-Headed-Upward.htm

http://www.tmcnet.com/channels/business-voip/articles/72761-unified-communications-market-doing-well-despite-recession.htm

http://africa.tmcnet.com/topics/southafrica/articles/127657-south-african-unified-communications-market-set-expand-2016.htm

http://www.gartner.com/it/page.jsp?id=1212613

http://www.enterprisenetworkingplanet.com/unified_communications

http://www.ucstrategies.com/

http://msunified.net/2010/08/09/gartner-magic-quadrant-for-unified-communications-2010/

 

Sobre Renato Opice Blum

Advogado e economista, Renato Opice Blum atua há mais de dez anos com direito eletrônico e hoje é um dos maiores especialistas do assunto no país. Coordenador do curso de MBA em Direito Eletrônico da Escola Paulista de Direito e presidente do Conselho Superior de Tecnologia da Informação da Federação do Comércio - SP; é CEO do Opice Blum Advogados Associados, o qual conduz com os sócios José Roberto Opice Blum, Marcos Gomes da Silva Bruno, Juliana Abrusio e Rony Vaizof. O blog abordará os mais atuais temas relacionados ao direito eletrônico e suas vertentes.

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