IT Mídia

2011 não foi apenas mais um ano que passou

30 de dezembro de 2011 12:37

Para fechar 2011 e entrar com pé direito em 2012, vale lembrar que o ano que se encerra foi marcante.

O modelo de Computação em Nuvem amadureceu muito neste ano. Passou pelo pico da curva de expectativas inflacionadas deixando de ser a promessa para a solução de todos os desafios tecnológicos do mundo. Também ultrapassou o vale da desilusão sobrevivendo às dramáticas interrupções de serviços da Amazon nas regiões da Costa Leste dos EUA em Abril e o ataque à PlayStation Network. E agora segue firme para a fase de uso em larga escala com menos mitos, mais certezas, casos de êxito que se multiplicam e um caminho de evolução visível.

Em 2011 perdemos ícones da Tecnologia da Informação como Steve Jobs e Dennis Ritchie. Mas a tecnologia penetrou como nunca na vida das pessoas e profissionais. Segundo o Gartner, em 2012 35% dos gastos das organizações em tecnologia se dará fora do custos dos departamentos de TI (!!!), um número elevado mas que comprova que usuários continuam contornando as limitações tecnológicas dos serviços internos buscando satisfazer suas necessidades de agilidade.

Uma das previsões mais repetidas em artigos, reportagens e blogs é a aceleração da “consumerização” de TI. Aviso às organizações e seus decisores : é fútil tentar bloquear o uso de smartphones, tablets e diferentes plataformas de acesso ao ambiente corporativo. É hora de abraçar a mudança e experimentar modelos novos como o BYOD (Bring Your Own Device – Traga Seu Próprio Dispositivo). Estudos comprovam que, além das economias em custos diretos financeiros, existe um aumento de produtividade associada ao usuário satisfeito em escolher sua própria tecnologia.

Também em 2011 : Nunca antes na história dessa indústria (!) se virtualizou tanto. Plataformas de virtualização, os hypervisors, continuam sendo importantes ferramentas para a transformação de ambientes de TI, seguem evoluindo para suportar ambientes mais críticos e consolidar mais ambientes, e o novo desafio de 2012 será a gestão de ambientes virtuais. Na conferência Gartner Symposium do Brasil, em Outubro, além de Nuvem e Mobilidade, já aparecia como forte tendência ferramentas de gestão de TI. Agora se percebe que ferramentas desenhadas para o mundo centralizado e Cliente-Servidor não estão prontas para suportar a flexibilidade do mundo virtual. É hora de mudar.

Com a virtualização, a infraestrutura se adapta. A rede é virtualizada, o armazenamento é virtualizado. A infraestrutura otimizada para o mundo virtual permite maior rendimento e economia. Uma novidade de 2011 e tendência para 2012 é o conceito da infraestrutura convergente, pacotes completos e integrados de Data Centers desenhados para a virtualização que incluem em rack toda pilha de infraestrutura para aplicações virtualizadas.

Usando infraestrutura convergente uma organização precisa apenas de espaço físico, energia e refrigeração, cabos de rede para a rede corporativa e … pronto. Não há esforço de integração entre servidores, armazenamento e demais componentes discretos, tudo é pré-integrado, pré-testado e gerenciado a partir de uma ferramenta que trata todos estes recursos de infraestrutura como um agregado.

A infraestrutura convergente acelera resultados, simplifica as métricas e controles pela padronização, e permite um gerenciamento de consumo recursos com dinamismo e elasticidade.”

 

A infraestrutura convergente acelera resultados, simplifica as métricas e controles pela padronização, e permite um gerenciamento de consumo recursos com dinamismo e elasticidade.

Elasticidade foi um termo muito comentado em 2011 e que será tendência para 2012 pelo crescimento do modelo de ofertas em Nuvem do tipo Platform as a Service – PaaS. Este modelo complementa o Infrastructure as a Service – IaaS – e o Software as a Service – SaaS.

No modelo IaaS os usuários consomem hardware virtualizado como serviço ganhando flexibilidade e agilidade no provisionamento de computadores virtuais, armazenamento virtual e serviços de backup e recuperação para ambientes virtualizados. O usuário customiza o serviço como customiza um servidor, desde o sistema operacional até a aplicação instalada.

No modelo SaaS os usuários consomem aplicações diretamente da Nuvem, usando interfaces Web (browsers) ou Mobile (portadas para RIM, iOS, Android e outras plataformas). O usuário customiza o serviço a partir das funcionalidades da aplicação apenas, sem acesso a sistemas operacionais e servidores. SaaS é normalmente consumida pelo usuário final corporativo.

No modelo PaaS, usuários consomem serviços de infraestrutura de aplicação : bancos de dados, serviços para aplicações Web, serviços para diferentes Frameworks de aplicativos (Java, Ruby, Python, Node.js, .NET). O usuário customiza o serviço a partir do ambiente de suporte ao aplicativo. PaaS é normalmente consumida pelo usuário desenvolvedor.

Um post dedicado a PaaS : http://itweb.com.br/blogs/a-nuvem-alem-da-infraestrutura-platform-as-a-service/

E a elasticidade? Será uma propriedade muito mais simples de experimentar com as abstrações mais altas na Nuvem que em IaaS. O crescimento de PaaS tornará mais comum o conceito de aplicativos elásticos, que se expandem para consumir mais recursos em momentos de maior demanda, e retornam dinamicamente e automaticamente para um ambiente mais comportado de consumo de infraestrutura quando o pico de demanda passa. Também tornará mais fácil a aplicação prática de Nuvem Híbrida, pois existe uma portabilidade mais simples nas camadas mais altas que nas camadas mais baixas da infraestrutura. Assim, se uma organização precisar de mais 50% de recursos para seu aplicativo de vendas online em um dado momento e a Nuvem Privada estiver saturada, será muito mais simples usar serviços PaaS compatíveis se aplicação tiver sido construída dentro dessa filosofia de arquiteturas otimizadas para a Nuvem, mesmo que o provedor de serviços PaaS use um diferente sistema operacional ou mesmo um diferente hypervisor para suportar sua plataforma de serviços.

2011 foi o ano que a transformação se aprofundou e atingiu o mercado. Android e iOS derrubaram RIM, a HP se dividiu em relação a sua estratégia para mobile e desktops abalada pela crise de PCs e isso custou a cabeça de seu CEO, a IBM encerra um ciclo e se prepara para começar 2012 com sua primeira CEO.

Em 2011 comemoramos 30 anos do PC e demos o primeiro passo para a Era Pós-PC! Em 2011 comemoramos 20 anos do Linux e vemos a comunidade Open Source fortalecida com a Computação em Nuvem, buscando trazer soluções para nova realidade virtual.

Algumas previsões? O problema de previsões é que tentam prever o futuro, certo? Mas alguns buzzwords que serão interessantes para o ano :

Big Data, Analytics, Data Scientists, endereçado em um post anterior deste blog : http://itweb.com.br/blogs/maior-que-a-nuvem-big-data/

NoSQL, novas maneiras de armazenar, acessar e processar informações. Modelos saindo dos laboratórios e ambientes apenas Web, agora crescendo para aplicativos críticos para gestão de negócios. Fortemente acoplados com arquiteturas de aplicações em Nuvem.

Social, uma nova geração de consumidores que passam cada vez mais tempo em redes sociais. Redes sociais já são mais eficientes que os canais comuns de serviços de atendimento a clientes. Redes sociais devem ser consideradas para interação, suporte, pesquisa e como fonte de informação para decisões de negócio. E principalmente, as áreas de TI devem se preparar para serem capazes de suportar estes novos serviços.

Mobile, suporte à mobilidade, uso corporativo destas plataformas indo além da produtividade de equipes, mas trazendo colaboração a qualquer momento. Aplicações de negócios precisam estar móveis, porque a relação de trabalho e localidade tende a ser cada vez mais invisível.

Finalmente, vejo cada vez mais verdadeiro que o termo “Computação em Nuvem” caminha para o seu fim. Será simplesmente “Computação”, assim como não mais falamos de “Computação Centralizada” e “Computação Cliente-Servidor”. Afinal, ninguém mais fala “e-business” ou “transações eletrônicas”, falamos simplesmente “negócios” e “transações”. O adjetivo se torna desnecessário quando a tendência se confirma. É simplesmente assim, como tem que ser.

E para tudo isso, pensar diferente. E para nós, profissionais de tecnologia, é hora de aprender. Aprender todo esse novo ecossistema vai nos fazer ainda mais relevantes para as organizações.

Feliz 2012!

 

Sobre Rodrigo Gazzaneo

Engenheiro de Computação formado na PUC-RIO, Rodrigo Gazzaneo trabalha há mais de dez anos no mercado de tecnologia de informação, especializando-se em soluções de consolidação, continuidade e proteção de Data Centers. Atualmente é o responsável pela Prática de Virtualização da EMC para a América Latina. Neste blog, desvendará uma série de recursos desta tecnologia que desponta na TI

Entre em contato com Rodrigo Gazzaneo

Parceiros

Portais: IT Mídia | IT Web | Saúde Web

Publicações: InformationWeek Brasil | CRN Brasil | FH

Fóruns: IT Forum | IT Forum + | IT Business Forum | Saúde Business Forum