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Adriele Marchesini Adriele Marchesini
Minha opinião. E ponto.² | 27 de janeiro de 2012

Twitter censurado, Sopa, Pipa e Megaupload: por que isso é ruim

crédito: Think

Agora a coisa está complicada. O Twitter anunciou na quinta-feira (26/01) que passou a censurar tuítes com temáticas consideradas como impróprias. Essa restrição, explicou o microblog, varia de país para país e de assunto para assunto. Posto isso, não deu detalhes sobre quais seriam esses assuntos nem em quais países eles seriam proibidos.

No comunicado, a empresa explicou que existem países que têm ideias de liberdade de expressão diferentes das praticadas pela rede social. “Algumas diferem tanto, que nós não conseguimos existir nesses países. Outras são parecidas, mas, por razões históricas ou culturais, restringem certo tipo de conteúdo – como na França e na Alemanha que proíbem mensagens pró-nazistas”, explicava um post no blog oficial da companhia.

O Twitter afirmou que quando um post censurado aparecer na linha do tempo do usuário, ele será especificado. “Um dos principais valores desta empresa é defender e respeitar a voz de cada usuário. Tentamos manter o conteúdo até quando e como podemos, e seremos transparentes com os usuários quando não conseguirmos fazer isso”, dizia o blog.

Não pude deixar de emitir uma opinião sobre esse fato, ainda mais diante do momento que a internet passa por uma esquizofrenia a respeito de segurança e liberdade de expressão. De forma, geral, o que é impróprio? A ferramenta, o Twitter, é uma coisa. O mau uso dele está intimamente ligado ao caráter da pessoa. E o bom uso também.

Para organizar este pensamento (completamente não embasado em qualquer preceito judicial, que fique claro) vou separá-lo em dois: o primeiro, o ser humano tem todo o direito de se autopunir (explico daqui um pouco); o segundo, a sociedade precisa ter liberdade de se organizar em uma ou outra causa (explicação a seguir também).

Vamos a elas:

  • Direito à autopunição. Vocês se lembram daquela estudante de direito que fez uma campanha completamente desprovida de inteligência, senso de humanidade e recheada de nada, para não dizer outra coisa? Aquela mesma, que mandou afogar nordestinos. Ridículo, não? Ridículo, claro. Não vou entrar no conceito moral da coisa porque, sabemos muito bem, que um movimento como este não tem legitimidade, noção, ou, ainda, qualquer adjetivo positivo/neutro. Mas o fato é que a mocinha em questão tem o direito de se expressar. E ela paga por isso. Muito simples. Ação, reação. Procurou, achou. A responsabilidade é dela, e de mais ninguém. Ela tem o direito, sim, de usar o Twitter como se fosse uma ferramenta de liberdade de expressão, mas que, na verdade, foi para autopunição. E a situação é a mesma quando o Twitter deu, lá em cima, a explicação sobre comentários pró-nazismo. A pessoa tem todo o direito do mundo de ser nazista, sendo contra a lei ou não. Ela vai se dar bem com isso? Acho que não.

Aí você vem: mas Adriele, o preconceito é horrível. É sim, queridão, eu também acho. Mas enquanto formos uma sociedade imatura, e quando digo nós me refiro a seres humanos no universo da web social, que precisa que o Twitter ou qualquer outra plataforma aja como um pai, cuidando das besteiras que falamos, teremos um liefting em nossa evolução moral. Não diremos as merdas, mas continuaremos pensando todas elas. E vamos dar um jeito de externar isso de outra forma. A correção de conceitos como este se dá por meio de educação, é algo muito mais estrutural. E não são as redes sociais que farão isso com a gente. Não serão mesmo.

<< ADENDO POSTERIOR: pessoal, como recebi comentários falando que eu era a favor no nazismo e do preconceito, quero deixar claro uma coisa: o Twitter é uma ferramenta, que pode ser usada para o bem ou para o mal. Se houver uma pessoa na rua com uma faixa com os dizeres: “Eu Sou Nazista”, o culpado é a faixa, ou a pessoa? As lojas de faixa devem parar de vender faixas? Não. Se a lei de determinado país considerar que isso é crime, que a pessoa seja punida por isso. Mas sim, a pessoa tem direito de ser nazista, apesar de eu não gostar disso. >>

  • Organização da sociedade. O Twitter alega que precisa tomar essa atitude para poder fincar seus pés em países que não liberariam sua permanência em outra situação. Não vou discutir a estratégia corporativa da rede social, porque não cabe a mim. Mas gostaria de abordar os seus efeitos. Imagino que Egito e Líbia não achariam “adequado” o uso das redes sociais para fomentar as revoluções contra seus ditadores. A revolução social pela qual passamos pode sim ser interrompida com ações como esta. A web é aberta – e esta é sua principal qualidade. Ainda há trabalho subumano na China porque o controle dos meios é total e seus habitantes vivem em uma ilha cibernética, apesar de toda a evolução econômica do país. A inércia é amiga da ignorância. A ignorância é inimiga da troca de ideias. A conta não fecha.

E as notícias vieram uma semana depois do barulho envolvendo os projetos de lei Sopa e Pipa, que tramitam nos Estados Unidos. A ideia dos textos, que é acabar com a pirataria de conteúdo, tem uma série de outras implicações, que podem censurar a web. A principal delas é dar aos servidores a obrigação de conferir os conteúdos publicados por seus usuários, o que inviabilizaria economicamente qualquer negócio. No mesmo tempo, donos do Megaupload foram presos acusados de ganhar US$ 175 milhões com direito autoral alheio. A investigação durou dois anos e nada tem a ver com a Sopa e a Pipa, mas trouxe questionamentos porque puniu os usuários do site com a ação, retirando não somente os conteúdos piratas de sua plataforma, mas, também, os originais.

A revolução das redes sociais está escancarando problemas estruturais que compartilhamos em todos os países, culturas e morais. Só que, em vez de resolver tais questões, estamos apertando o botão mais fácil, o de proibir a divulgação. E isso não adianta. Já dizia o mestre Raul Seixas: Varrendo o lixo pra debaixo do tapete, que é supostamente persa, pra’legria do ladrão.

E é por isso que eu falei no outro artigo que escrevi: não use os fatos recentes para xingar, sem mostrar embasamento.

Quanto tempo vai durar a censura do Twitter? O suficiente para vermos que não dá certo.

 

 

  • Paulo

    o que será que esse povo quer!? a Internet tem q ser uma terra sem lei? sem príncipios? “A pessoa tem todo o direito do mundo de ser nazista” q absurdo! viva Hittler então???  força ao racismo??? cuidado com seus texto hem!  vai que alguém considere isso apologia! q povo nesse mundo está com vc nesse proposta?

    • Adriele Marchesini

      Oi, Paulo. É preciso ter cuidado com isso. Vou explicar.
      não é meu, seu, ou da web, o papel de levar princípios à população. Não
      sou a favor do nazismo, do preconceito, da violência, de nada disso. Mas não
      acho que censurar a web resolva o problema – só mascara ele. E sim, cada um
      pode achar o que quiser e se identificar com o que bem entender. E, mais uma
      vez, é preciso tomar muito cuidado com isso: não significa que sou a favor de
      pessoas fascistas ou preconceituosas. Mas acredito que elas têm o direito de se
      expressar. Sempre lembrando algo MUITO importante: quando elas se expressarem
      vão ser punidas por isso, e mais importante: DENTRO DA LEI. Seja por calúnia,
      difamação, crime de preconceito, incitação à violência, formação de quadrilha,
      ou o que quer que seja, elas serão punidas. 
      DEVEM SER PUNIDAS. E assim como as pessoas DEVEM ser LIVRES para
      expressar sua opinião, DEVEM pagar quando passam dos limites. Entendeu? Abraços
      e obrigada pelo comentário!

      • Luiz

        Adriele, se a faixa for sua  e vc permitir q alguém coloque uma msg racista, vc e ela são responsáveis por isso… sabia!? Então, acho q não é pq é virtual q o twitter não teria nada a ver com a msg. Por isso que todos devem sim ser responsáveis… twitter, megaupload, google, ….

    • Victoria

      Tem gente que lê e não entende nada…. analfabeto racional

  • Adriano Souzalves de Brito

    Adriele, PARABÉNS pelas colocações. Não tiro absolutamente nada como também não há o que acrescentar…os seres humanos vivem seu paradoxo e é sim necessário que tudo de bom e ruim venham a tona. E a lei de causa e efeito, hoje, acontece com tamanha rapidez que não me atrevo a sensurar nada mais, pois quem sou eu para fazer isso? Quem aqui nesse planetinha está acima de qualquer um de nossos semelhantes? Que venha o CAOS TOTAL, para podermos renascer mais divinamente humanos. PARABÉNS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    • Adriele Marchesini

      É o que eu acho, Adriano. Mas acima de tudo, vale a máxima bíblica: Não faça aos outros o que não gostaria que fizessem a você. Se cada um de nós agirmos SINCERAMENTE em relação a isso, a anarquia não será baseada em caos, mas em amor e companheirismo. Eu tenho certeza que isso é possível. 

  • Almir Ribeiro

    Engraçado, esse tipo de discussão, que englobe conceitos
    de moral e direito é tão antigo quanto à humanidade e parece sempre terminar
    como aquelas discussões sobre religião, em lugar nenhum, por mais que se
    discuta, cada um tem a sua crença. Parece-me que a confusão que fazemos, é que confundimos
    um com o outro, insistimos em esquecer que como seres humanos, a nossa
    liberdade é nosso 2º maior direito inviolável (o 1º é a Vida).
    A moral é o subconsciente coletivo que regula nosso comportamento enquanto sociedade,
    é um conjunto de regras no convívio
    e tem ligação direta com nossos sentimentos e por isso tem um campo de
    aplicação maior e mais subjetivo do que o campo do Direito. Dito isto, para mim, fica claro que seja
    qual for seu o tipo, a liberdade deve sempre ser garantida, mesmo sob pena
    moral. SOPA, PIPA? Isso me lembra a “SKYNET”, onde, no filme de ficção, era
    um sistema de defesa criado pelo homem, mas que, sentindo-se ameaçado quase exterminou
    a evolução da raça humana.
    Não existe meia liberdade. E as leis já existem para punir aqueles que se
    sintam ofendidos com a expressão alheia (Difamação, Injúria, Calúnia…). Houve
    recentemente um caso, que todos conhecem, onde um apresentador utilizou um meio
    de comunicação para tecer um comentário, o de que “Comeria a mãe e o filho”,
    com certeza foi repudiado moralmente pela sociedade, sofrendo suas sansões e juridicamente
    pelos ofendidos. Pra que inventarmos outros mecanismos? Aonde existe liberdade é simples assim,
    nossos direitos terminam, onde começam o do próximo e ponto.
    Parabéns pelo artigo!

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