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por Luciana Leocadio | CNPI
Análise | 18 de fevereiro de 2011

Telesp: resultado beneficiado por não-recorrente

Companhia apresenta resultado do 4T10 com leve queda de LIS

A Telesp apresentou seu resultado do 4T10, no qual observamos uma leve queda de LIS (- 0,1%QoQ), porém com aceleração de crescimento de banda larga (+5,7%QoQ) e TV paga (+4,3%QoQ). A receita líquida alcançou R$ 4.003 milhões, em linha com nossa estimativa e estável YoY (+0,2%), enquanto o EBITDA apresentou expansão de 9,9% ante o 3T10, atingindo R$ 1.424 milhões, puxado por uma linha de outras despesas positiva em R$ 155 milhões, referente à venda e cessão de direito de uso de ativos não estratégicos. Com isso, a margem EBITDA alcançou 35,6%, acima de nossa expectativa. O lucro líquido foi de R$ 623 milhões no 4T10, também impactado pelo impacto não recorrente em gastos operacionais.

Visão Ativa – Neutro, na medida em que o principal motivo para expansão das margens está associado ao impacto de efeitos não-recorrentes nos gastos que, se expurgados, gerariam uma margem EBITDA recorrente de 31,6% (EBITDA ajustado de R$ 1.265 milhões), pressionada por

maiores gastos com terceiros e interconexão. Apesar da melhoria de evolução da base de usuários de internet e TV ainda não é possível verificar consistência da evolução da receita consolidada da empresa, que segue estagnada em função da deterioração do business de voz.

Acreditamos que o principal evento para Telesp no curto prazo está relacionado à incorporação das ações da Vivo, bem como a estratégia de unificação operacional, o que deverá ser executado ao longo deste ano. Temos preferência por exposição às ações da Vivo (VIVO4), por

acreditarmos que o valuation da empresa encontra-se mais atrativo (Target Price de R$ 68/ação, upside de 26%) e da Temos recomendação NEUTRA para TLPP4, com Target Price de R$41,50/ação.

A base de linhas fixas em serviço ficou praticamente estável (-0,1%QoQ), enquanto a banda larga apresentou aceleração no crescimento da base, chegando a 3.317 milacessos (+5,7%QoQ), ao mesmo tempo em que TV por assinatura voltou a apresentar evolução (+4,3%QoQ), chegando a 486 mil acessos.

A receita líquida da Telesp mostrou pequeno crescimento de 0,7% ante o 3T10 e na comparação anual (+0,2%), puxados pelo crescimento da banda larga e dados corporativos (+19%YoY), bem como da longa distância nacional (+3,9%YoY), compensando a queda de tráfego na voz local, levando à redução de 6%YoY nesta linha de receita.

Os gastos operacionais se elevaram em 0,9% YoY, porém cabe destacar que esta variação foi beneficiada pelo efeito de venda e cessão do direito de ativos não-estratégicos, com impacto positivo de R$ 233 milhões no 4T10. Por outro lado, a Telesp incorreu em gastos maiores associados à reorganização de pessoal, com impacto negativo não-recorrente de R$ 78 milhões. Expurgando os eventos não-recorrentes, os gastos operacionais da Telesp teriam subido 7,1%YoY, com aumento de gastos com terceiros e interconexão.

Beneficiado pelo efeito de resultados não-recorrentes, o EBITDA da Telesp atingiu R$ 1.424 milhões, com margem de 35,6%, porém, ao excluirmos este impacto, o EBITDA recorrente da Telesp teria sido de R$ 1.265 milhões, com 31,6% de margem EBITDA, abaixo de nossa estimativa para a empresa. A última linha também foi positivamente influenciada pelos ganhos não-recorrentes, o que levou à Telesp a alcançar lucro líquido de R$ 623 milhões no 4T10, crescimento de 9,2% YoY.

A Telesp encerrou o ano com dívida líquida de somente R$ 297 milhões, ante R$ 1.274 milhões em 2009, equivalente a um indicador DL/EBITDA inferior a 0,1x em dez/10.

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