A Consumer Electronics Show (CES), que começa nesta quinta-feira (06/01), em Las Vegas, está divulgando para o mundo a indústria “verde”, levantando a questão a ser discutida novamente.
Quer ficar por dentro de tudo o que acontece na comunidade de TI e telecom? Assine a nossa newsletter gratuitamente e receba, todos os dias, os destaques em sua caixa de e-mail
Aqui estão algumas razões para mostrar por que a CES não é tão amiga do ambiente:
- A CES está apresentando os mais recentes produtos e tecnologias ecologicamente corretos, incluindo alternativas de energia, de smart grid, produtos solares e renováveis, embalagens sustentáveis e tecnologias de convergência sem fio. Os organizadores da conferência deixaram de mencionar, entretanto, as toneladas de resíduos que serão geradas pelos milhares de produtos ultrapassados que serão trocados por versões mais atualizadas.
- Pesquisas mostram que 68% das 147 toneladas de resíduos sólidos gerados pelos participantes do ano passado foram recicladas. Elas apontam para caixas, carpetes, painéis de parede, e toalhas de papel e até mesmo papel higiênico recicláveis. A maioria dos folhetos da conferência e manuais expositores são virtuais. A feira parece estar fazendo um esforço sério neste quesito.
- A CES diz que “encaminhou todas as lâmpadas usadas, bem como pilhas e outros produtos eletrônicos”. Mas para onde exatamente? Ou, em última análise, para os lixões na China e em outros lugares, como já foi reportado anteriormente.
- O fornecedor do programa Aramark oferece condimentos a granel, em vez de embalagens individuais, também distribui embalagens de alimentos e utensílios biodegradáveis, utiliza máquinas de lavar louça energeticamente eficientes, e participa na reciclagem dos seus próprios esforços.
- Mas aqui está a cereja do bolo: os organizadores afirmam que por terem uma média de 12 reuniões na CES, os participantes devem evitar mais de 960 milhões de milhas em viagens de negócios. A poupança líquida total estimada em milhas de viagem é de 549 milhões de euros. A lógica funciona para o Al Gore já que não se deve prestar atenção na geração de carbono, mas sim na evasão dele
Para não ser ultrapassado pelos organizadores da CES, um representante da On24, cuja plataforma online fundou muitos eventos virtuais, chamou o jornalista John Foley para protestar contra a “mais verde” das reivindicações da CES.
Para a On24, as exposições in locuo são desnecessárias, já que as virtuais consomem menos energia e produzem menos lixo, pois só é necessária a energia para alimentar os computadores, sites e conexões à internet.
Aqui eu dou uma alternativa modesta: em nome do respeito pelo ambiente, por que não vamos dar um passo adiante e pôr um fim a todas as feiras, ao vivo ou virtual?
Porém temos esta mais radical: todos nós deveríamos cuidar dos nossos aparelhos eletrônicos e dispositivos e não passarmos para a próxima inovação.
Não me interpretem mal, eu realmente aprecio alguns dos passos que a CES está dando e desejo que os também tenham sucesso no seu empreendimento, mas em algum ponto a postura hipócrita em prol de uma TI verde se torna muito forçada.
Veja mais:
Especial CES: acompanhe as novidades da feira de gadgets
ð Você tem Twitter? Então, siga http://twitter.com/IT_Web e fique por dentro das principais notícias de TI e telecom.