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por Felipe Dreher | InformationWeek Brasil
Mercado | 13 de outubro de 2010

e-Brane quer extrair conhecimento das mídias sociais

Startup prepara solução que usará mineração de dados para mergulhar no mar de informações dessas redes

Logo depois de graduar-se, Braulio Medina Dias leu um artigo de uma revista norte-americana que direcionaria seu futuro. A reportagem publicada no fim de janeiro de 2006 tratava da forma como a matemática mudaria o mundo da computação, citando o Google como um dos principais exemplos. Havia pouco tempo que ele voltara ao Brasil depois de uma temporada na Alemanha. De posse do texto, vasculhou a internet em busca de informações sobre aquela reportagem e começou ter ideias para empreender.

A primeira iniciativa de empresa versava sobre um portal de matemática aplicada com a meta de estreitar a relação entre universidades e iniciativa privada. Com a missão de impulsionar o empreendimento, matriculou-se em um curso de verão, em 2008, no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), em Petrópolis (RJ), ligado a aplicações de alto desempenho. Ele fez camisas do site, conversou com alunos e alguns professores até esbarrar em “uma total falta de apoio” dos acadêmicos. O ambiente adverso acabou por criar um cenário onde Dias fortaleceu sua veia empreendedora. “Senti naquele curso que o melhor seria escolher um ramo, pesquisar e mobilizar pessoas”, conta.

Se, há cerca de uma década, formar opinião era exclusividade de poucos, com o advento da colaboração online isto deixou de ser verdade. Hoje, todo mundo opina sobre tudo na web, que funciona como um amplificador destas vozes. Partindo desta constatação, Dias começou a formatar uma solução de data mining para minerar informações geradas em mídias sociais e sites onde se produz volume relevante de texto com referência a marcas, produtos, serviços e pessoas.

Nesse contexto, a e-Brane nasceu no fim de 2008 com a meta de medir o que era publicado na internet envolvendo a matemática que compreende álgebra linear computacional, inteligência artificial e modelagem avançada para a composição de índices (o termômetro das marcas). “Sem a noção prática do que aconteceria. Estávamos no campo das ideias”, sinaliza Dias, que incubou seu projeto no LNCC de Petrópolis em janeiro seguinte. Até chegar a solução batizada Brand-o-Meter, foram muitas horas de “brainstorming e suor”.

As ambições da empresa são consideráveis: tornar-se referência na capacidade de medir opiniões. “Não quero apenas dar um relatório com o volume de citações. Nossa ideia é minerar dados criando um índice com média ponderada das informações a ponto de saber se o que é veiculado é positivo ou negativo levando em conta a força da fonte”, detalha. O software deve ficar pronto no fim de julho. “Estamos em uma fase avançada, mas ainda não podemos entregar 100% do que nos propomos”, julga.

“Para cada segmento monitorado precisamos entender o negócio, que tipos de palavras e adjetivos podem ocorrer”, comenta, explicando que isto ajuda a compreender o dicionário semântico das expressões associadas a marcas dos clientes que contratarem a tecnologia. O passo seguinte é oferecer um software via web onde os contratantes têm acesso a dados em tempo real. “Um CRM tradicional trata dos desejos e insatisfações dos clientes dentro de casa. Nossa ideia é olhar expressões dos consumidores nas ruas, que em volumes são muito maiores para, no futuro próximo, integrar estas duas pontas”, compara.

A tecnologia da e-Brane mistura máquina e inteligência artificial dentro de uma abordagem híbrida, que contempla ainda um tratamento pessoal para classificar alguns segmentos de texto para que o software aprenda em cima destes fragmentos. Os inputs manuais treinam uma rede neural. A abordagem reforça a eficiência da ferramenta.

Ações nas duas frentes (homem e máquina) seguem até o algoritmo conseguir classificar dados com 99% de certeza. A partir daí, a tecnologia entraria em uma espécie de “voo de cruzeiro”. Mas, como antecipa o empreendedor, a grande ambição seria um sistema de busca onde os clientes digitam um nome de seu interesse e a resposta traga informações já categorizadas e avaliadas. “A ideia é trazer menos caos, com informações onde as pessoas possam tomar decisões com base em dados mais confiáveis do que as tradicionais buscas no Google”, diz.

Recentemente, a empresa participou no Ciab Febraban, principal evento de tecnologia para o setor bancário do País. Na feira, conseguiu um feedback de demandas e possíveis melhorias para formatar a versão comercial da ferramenta. A ocasião também configurou-se em uma oportunidade de começar a abrir alguns contatos comerciais. “Conversamos com bastante gente que mostrou interesse”, revela.

A proposta mercadológica da e-Brane contempla um valor de ativação somado a uma mensalidade. O preço depende da complexidade do setor onde a ferramenta será aplicada. A meta reside em atacar as verticais de finanças, telecom e hospitalidade. Há intenção, ainda, de oferecer a solução medindo a popularidade de pessoas, com foco em campanhas políticas. “Colocaremos uma parte grátis para o eleitor, e cobraremos por outra de análise mais profunda para os candidatos”, vislumbra. A previsão é que o primeiro negócio venha até agosto e a meta é fechar o ano com entre cinco a dez clientes “de peso”. O empreendedor acredita que não se trata de uma largada muito otimista, “mas é realista e vai nos permitir nortear uma estratégia para conquista de mercado e crescimento em escala para os próximos dois ou três anos”.

Dias prefere não estabelecer metas financeiras até dezembro. Afinal, a startup encontra-se em um mercado pulsante, onde as coisas transformam-se em alta velocidade. Contudo, há um norte financeiro e a projeção para o ano que vem gira na casa dos R$ 500 mil, chegando a R$ 2,8 milhões em 2013. “Estamos bastante focados em nos tornar uma empresa referência na capacidade de medir opiniões e sentimentos em relação a marcas e pessoas”, define o empreendedor fã do Google e do SAS que sonha fazer seu negócio crescer, aumentar a equipe e disseminar informações de valor das áreas de conhecimento matemáticas para o mundo corporativo.

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