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O crescimento exponencial do número de empresas que abriram, ou estão em processo de abertura de capital na bolsa de valores de São Paulo (Bovespa) pode parecer um bom momento para a economia local, mas em um cenário pessimista pode representar uma bolha semelhante à da internet, que em 2000 promoveu a quebra de muitas empresas da área de internet e tecnologia.
A afirmação é de Fabrício V. Martins, diretor de operações da Nexxy Capital. De acordo com ele, esse crescimento – somente neste ano 62 empresas realizaram IPO na Bovespa, totalizando 153 corporações pertencentes aos segmentos especiais (Novo Mercado, Nível 1 e Nível 2) – é uma fase fora da curva. “Qualquer movimento de mercado pode impactar a bolsa e promover um estouro da bolha similar ao ocorrido em 2000”, explica o executivo, fazendo referência à supervalorização das empresas de internet que abriram capital na Nasdaq na época. “Ainda em 2008, o mercado pode sentir as conseqüências dessa fase inflada da Bovespa”, alerta o diretor.
Um cenário otimista, na visão de Martins, contemplaria uma média entre IPOs e investimento por parte de empresas de Private Equity. “O Brasil tem grandes oportunidades em setores emergentes, como indústrias, infra-estrutura, usinas, energia e até mesmo TI, que demandarão capital para crescer”, pontua.
No caso específico de TI, Martins acredita que é preciso estabelecer um foco para atuação do País como fornecedor mundial. “Não é claro ainda a atuação do Brasil para o mercado internacional. As empresas estrangeiras não sabem se somos desenvolvedores, como a Índia, ou fabricantes, o que nos coloca em uma situação desfavorável em relação aos nossos concorrentes”, diz ele, ressaltando que incentivos internos, como reformas tributárias e trabalhistas, poderiam reverter a situação.
Uma estratégia eficiente no curto prazo seria intensificar o movimento de fusões e aquisições das empresas. “No curto prazo pode agregar valor, atrair players e promover uma alavancagem de mercado”, ressalta o analista, citando que a fase de consolidação por que o Brasil está passando é primordial para atender ao mercado regional.
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