crédito: B. Piropo
http://itweb.com.br/O menu iniciar desaparecido

A versão de demonstração (“Preview”) do Windows 8.1 já está na praça. E à disposição do público em geral, gratuitamente. Então, antes de seguir adiante, vejamos como obtê-la.

Se você desejar fazer uma instalação tipo atualização (ou seja, “por cima” de seu sistema operacional atual, que neste caso pode ser Windows 7 ou Windows 8), basta visitar a página  “Baixe o Windows 8.1 Preview”, baixar a atualização e seguir as instruções (no caso, o que a Microsoft chama de “atualização” é um programeto que, ao ser executado, fechará uma conexão com a Windows Store, transferirá o código do sistema para sua máquina e efetuará a instalação de Windows 8.1). Mas não se esqueça que, se você fizer isto em sua máquina de trabalho, estará na verdade substituindo seu sistema operacional por uma versão de demonstração com prazo de validade determinado e, como toda versão lançada antes da liberação da versão final, é mais lenta e sujeita a erros. E, pior: não há como “desinstalar”.

Assim sendo, o ideal é destacar uma máquina exclusivamente para este fim ou criar uma partição em seu disco rígido ou ainda abrir uma máquina virtual em seu sistema atual. Você poderá então fazer uma “instalação limpa” a partir do zero. Para isso, você vai precisar de um DVD de instalação, que terá que ser criado por você mesmo usando um arquivo de imagem (arquivo ISO) baixado via internet.

A Microsoft oferece imagens ISO do Windows 8.1 em dezenas de idiomas e, para o Português do Brasil, versões para máquinas de 32 bits e de 64 bits. Você poderá baixar qualquer uma delas da página “Arquivos ISO do Windows 8.1 Preview” e instalá-la da forma usual. Quando for solicitado a inserir uma “Chave do Produto” use esta, fornecida pela MS: [NTTX3-RV7VB-T7X7F-WQYYY-9Y92F].

Pronto. Agora vamos falar um pouco sobre a nova versão, tendo em mente que isto não é uma “análise de produto”, mas apenas alguns comentários de um usuário de Windows 8 desde o lançamento sobre as mudanças introduzidas pela MS na versão 8.1. Mas, antes, uma curiosidade.

Há algumas semanas (três, para ser exato) eu publiquei aqui mesmo a coluna “Windows 8 cresce devagar. Mas sempre” na qual teci algumas considerações sobre a taxa de crescimento de Windows 8, que alguns críticos consideram demasiadamente lenta. E, no corpo da coluna, observei que, da mesma forma que um comentarista de futebol tem alguma dificuldade para disfarçar por que time torce quando analisa uma partida, não há análise isenta de um sistema operacional, já que sistemas operacionais despertam em seus usuários emoções similares àquelas que os clubes de futebol despertam em seus torcedores.

Pois bem: nas minhas pesquisas sobre as opiniões de analistas sobre a nova versão de Windows me deparei com o artigo da ZDNet de autoria de Steven J. Vaughan-Nichols, intitulado “Windows 8.1: Close, but no cigar”. Como se percebe pelo título, trata-se da opinião de Vaughan-Nichols sobre Windows 8.1 e não de uma análise comparativa entre sistemas.

Isto posto, vejamos o que diz o cavalheiro sobre Windows 8.1 Preview.

Começa dizendo que “Windows 8.1 é melhor que Windows 8…”. E completa: “…o que não significa muito. Na minha opinião Windows XP era – e é – melhor que Windows 8”. Ôpa! Parece que ele não se impressionou muito bem…

Mas isso é só o começo. Daí em diante, ele prossegue desancando o produto. Cita algumas mudanças e acrescenta que todas elas, menos a integração com o SkyDrive, são “ajustes menores, cosméticos”. E continua baixando o cacete no pobre Windows 8.1. Até que, alguns parágrafos antes do final do artigo (cujo objetivo, repito, era apenas expor o que o autor achara de Windows 8.1), sem que ninguém lhe pergunte, Mr. Vaughan-Nichols lasca lá, à guisa de subtítulo: “A melhor nova (interface) atualmente: Linux Mint 15”. E ainda por cima faz dele um atalho para outro artigo seu onde canta loas a uma suposta maravilha chamada Linux Mint.

Ah, sei…

Entenderam agora por que eu afirmei que no que toca a sistemas operacionais, não há análises isentas? Então vamos adiante, lembrando que, diferentemente de Mr. Vaughan-Nichols, eu sou usuário de Windows 8.

Vamos começar pelo malfadado e tão pranteado botão “Iniciar”. Atendendo aos apelos dos usuários revoltados com seu desaparecimento, a MS o trouxe de volta. E mais: para os mais radicais, que usam Windows 8 em máquinas desprovidas de tela sensível ao toque e que não querem nem ver a nova interface Metro, Windows 8.1 permitirá que a máquina seja inicializada desprezando a interface Metro e partindo imediatamente para a Área de Trabalho. Naturalmente com seu botão Iniciar.

Eu acredito que alguns usuários estão achando que o novo botão Iniciar não passa de uma “pegadinha” da MS para, como dizem os patrícios d’além mar, “lhes fazer troça” (o termo de mesma acepção em português não é bem visto nas rodas elegantes e eu o evito, apesar de não fazer parte de tais rodas). Isso porque, ao se clicar nele, em vez de aparecer aquele conhecido menu Iniciar que tantas saudades deixou, o sistema o envia de volta… para a interface Metro.

Admito que isto seja um tanto desesperador para quem queria desfrutar das funcionalidades do velho menu Iniciar justamente para se livrar da interface Metro. Mas que funcionalidades seriam estas? Bem, o menu “Todos os programas” e aquela lista de ações e programas do lado direito do menu Iniciar.

Pois bem: para quem quer acesso ao menu “Todos os programas”, basta clicar no novo menu Iniciar e, na tela do Metro, clicar em uma pequena (e nova) “seta para baixo” que aparece no interior de um círculo no canto inferior esquerdo da tela da nova interface com seus “blocos dinâmicos” (que agora podem ser ajustados em quatro tamanhos, inclusive um pequenino que ajuda um bocado a “arrumação” da tela). Clique na setinha e será levado para uma nova tela onde encontrará ícones de… todos os programas. A diferença em relação a Windows 7 é que os ícones dos programas não aparecem mais dentro de pastas, mas agrupados usando basicamente o mesmo critério dos menus (não esqueça que a interface Metro continua otimizada para telas sensíveis ao toque). Mas os desejados “Todos os programas” continuam lá, ao alcance de dois cliques

E as outras opções do menu Iniciar?

Bem, as demais opções (com algumas adições e poucas subtrações) continuam lá mesmo, no botão Iniciar. Os reclamantes não sabem disto porque ainda não experimentaram clicar nele com o botão direito do mause. Faça-o e aparece um extenso menu, mostrado na figura que ilustra esta página, com quase tudo e alguma coisa a mais que havia no velho menu Iniciar.

E tem mais. Se você clicar com o botão direito na Barra de Tarefas e selecionar a entrada “Propriedades”, notará que a velha janela “Personalizar Barra de Tarefas” apresenta uma guia adicional, “Navegar”, com um monte de opções interessantes, dentre elas a que possibilita que a máquina abra a Área de Trabalho e não a interface Metro ao ser inicializada.

É claro que há outras – e profundas – alterações na nova versão. Muitas relativas à segurança, especialmente as voltadas para a nova tendência BYOD, ou “bring your own device”, que permite aos empregados de uma empresa que têm privilégios para tal, acessar a rede corporativa a partir de suas próprias máquinas (um negócio muito cômodo mas que, sem a devida segurança, fica danado de perigoso). Outras alterações visam facilitar o uso – como a possibilidade de abrir duas janelas de programas e trabalhar com elas simultaneamente, lado a lado, no mesmo monitor de tela larga (eu não canso de insistir que, depois da ampliação da memória interna, uma das atualizações de melhor custo benefício é adicionar um segundo – e, quem sabe, um terceiro – monitor à sua máquina). E há também um punhado de novos programas e uma novidade formidável em termos de integração com o SkyDrive, a “nuvem” da MS: seu ícone agora aparece no Explorador de Arquivos e aceita o arrastar e soltar de arquivos.

Em uma única coluna (e eu não pretendo iniciar uma série baseado em uma versão “Preview”) não dá para ir muito além disto. Mas, após o lançamento oficial do Windows 8.1 (que será distribuído gratuitamente, como uma atualização), provavelmente eu voltarei ao assunto. Desta vez ficamos por aqui.

Mas afinal: qual a minha opinião sobre a experiência de usuário de Windows 8.1?

Gostei. Achei que a MS deu uma olhada para trás, ficou com pena dos velhos usuários de máquinas de mesa e fez o que pôde para que as mudanças da interface não lhes fossem tão traumáticas. E, ao meu ver, acertou.

Já Mr. Vaughan-Nichols há de ter uma opinião radicalmente diferente.

Mas assim é a vida…

B.Piropo

 

  • Vasco

    Bom artigo…

  • Andre

    Parabéns pelo artigo. Usou uma visão holística focando nas intenções da Microsoft sem comparar com produtos concorrentes. Certamente usarei como referência no momento mais adequado para atualização do Windows 7.

  • RicKardo

    Eu fui ver como é a interface desta versão do Linux (Linux Mint 15) citada pelo articulista Steven J. Vaughan-Nichols, é uma derivação do Windows ‘desktop’, quase um clone, pequenos detalhes somente são diferentes… Bah… Pensei ser uma revolução da Interface gráfica.
    Quando às disposições das aplicações nas telas (ecrãs) veja o aplicativo “Toolbox” — interface Modern/Metro — no qual já são possíveis a execução de até seis aplicativos na mesma tela, utilizando não somente a divisão vertical, mas a horizontal também; i.é, elas ficam como se fossem três colunas com duas linhas numa tabela do Word, por exemplo.

  • anonimo@anonimo.com

    Sei lá, ainda acho o Windows 8 um sistema capado, como se fosse uma versão “Starter Edition”, com várias limitações. Vamos lá:

    Personalizar a área de trabalho ficou sofrível, o painel de controle ficou muito confuso (isso desde o windows 7) e não tem padrão: uma hora as opções abrem na mesma tela do Explorer, outra hora em janela separada. Algumas configurações ficaram escondidas e é necessário muito mais cliques e advinhações. Uma vantagem é a possibilidade de pesquisar as opções de configuração apenas digitando, mas nem sempre o Windows entende o que queremos, ainda mais se é algo mais específico ou alguma configuração avançada.

    Já tentaram entrar no modo de segurança? Já é difícil conseguir acessar as opções de boot, muitas vezes é necessário recorrer ao bcdedit. Quando se consegue, não há opção específica para modo de segurança, deve-se ir na tentativa e erro.

    O fim do menu iniciar é lamentável, este falso retorno é pior ainda. O melhor é usar o Classic Shell (gratuito).

    Muita gente achou que o sistema ficou rápido (boot rápido), mas é uma ilusão. No trabalho percebi que a cada dia o boot fica mais lento. Tenho pouquíssimos programas instalados e 8GB de RAM.

    A única grande vantagem que vi no sistema são os ícones na barra de tarefa que permitem acessar rapidamente documentos recentes. Algo que poderia facilmente ser implementado em um Service Pack.

    Para finalizar, um excelente artigo sobre os vários desfalques do Windows 8: http://xpwasmyidea.blogspot.com.br/

  • Igor Isaias Banlian

    Piropo, leia este artigo:

    http://g1.globo.com/platb/tira-duvidas-de-tecnologia/2013/10/09/o-que-mudou-na-velha-batalha-linux-x-windows/

    Note que ele está em um meio conceituado de informação (o Portal G1), e que está escrito por uma pessoa isenta de paixão pelo GNU/Linux!

    Eu admiro muito seu trabalho, mestre Piropo, sempre com excelentes artigos, porém até hoje nunca entendi o porquê de sua aversão (e aparente ódio) pelo GNU/Linux, Software Livre e sua respectiva comunidade de usuários e desenvolvedores…

    Muita coisa mudou no GNU/Linux nos últimos 5 anos, distribuições não-Ubuntu, como o Manjaro (baseado no Arch), ganharam notória popularidade, e até o citado “(GNU/)Linux Mint” tem uma versão baseada no Debian, então se sua opinião sobre o GNU/Linux sempre foi centrada no Ubuntu, reveja seus conceitos, pois GNU/Linux não é só o Ubuntu e sua comunidade, existem muitas outras!

    Não somos todos iguais, cada comunidade, de cada distribuição, tem suas particularidades, seus prós e contras, e se comporta de uma maneira diferente, então não se pode julgar todo o ecossistema GNU/Linux e do Software Livre só porque você possivelmente teve experiências ruins/traumáticas com UMA comunidade de UMA distribuição GNU/Linux específica!

    Atenciosamente,
    Igor Isaias Banlian

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